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A Importância da Fisioterapia no Manejo da Doença de Parkinson

  • Foto do escritor: Leonardo Bussinger
    Leonardo Bussinger
  • 27 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

A Doença de Parkinson (DP) é uma condição neurodegenerativa progressiva caracterizada por bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e alterações posturais. Embora o tratamento medicamentoso — sobretudo com levodopa e agonistas dopaminérgicos — seja crucial, há consenso na literatura científica de que a fisioterapia é um componente indispensável do cuidado. Ela atua diretamente nos déficits motores típicos da doença, reduz a progressão de limitações funcionais e melhora a autonomia e a qualidade de vida.


Evidências científicas sobre o papel da fisioterapia

A força da recomendação para exercício e fisioterapia na DP é alta. A seguir, os principais achados robustos da literatura recente:


1. Melhora dos sintomas motores e da qualidade de vida

Uma meta-análise publicada na Movement Disorders (2020), envolvendo mais de 70 estudos controlados, demonstrou que exercícios terapêuticos melhoram de forma significativa marcha, equilíbrio, mobilidade e qualidade de vida em comparação ao controle. Os benefícios foram observados tanto em pacientes em fases iniciais quanto intermediárias.


2. Treino aeróbico e força trazem efeitos neuroprotetores

Revisão sistemática publicada no Journal of Parkinson’s Disease (2022) mostrou que treinos aeróbicos de moderada a alta intensidade produzem melhora mensurável na função motora (UPDRS III), velocidade de marcha, resistência e condicionamento cardiorrespiratório. Há indícios, inclusive, de potencial neuroprotetor, ao modular vias inflamatórias e fatores neurotróficos.

O treinamento resistido também apresenta evidência forte: melhora força, recruta unidades motoras com mais eficiência e contribui para reduzir bradicinesia e instabilidade postural.


3. Treino de equilíbrio e prevenção de quedas

Alterações posturais e instabilidade são alguns dos fatores mais incapacitantes da DP. Ensaios clínicos randomizados mostram que programas de treino de equilíbrio, dupla tarefa, estímulos externos (cues visuais e auditivos) e exercícios focados em mobilidade axial reduzem risco de quedas, aumentam a estabilidade e melhoram a confiança funcional.


4. Estratégias específicas da fisioterapia melhoram a marcha

Pacientes com Parkinson frequentemente apresentam freezing, passos curtos, redução de cadência e dificuldade na iniciação da marcha. Intervenções como:

  • cueing visual (linhas no chão)

  • cueing auditivo (metronomo, ritmo musical)

  • treinamento em esteira

  • treino de amplitude de movimento (como LSVT BIG)

mostram benefícios consistentes na velocidade da marcha, comprimento do passo e redução de freezing. O programa LSVT-BIG, especificamente, tem forte evidência de melhorar amplitude, fluidez e desempenho funcional.


5. A importância da intervenção precoce

Revisões publicadas após 2020 reforçam que iniciar fisioterapia logo após o diagnóstico traz benefícios cumulativos a longo prazo, inclusive diminuindo o declínio funcional típico da doença. Pacientes que começam cedo tendem a apresentar melhor prognóstico em autonomia.


Por que a fisioterapia deve ser contínua

A fisioterapia não é apenas uma intervenção pontual — é um processo de manejo contínuo, pois:

  • A DP é progressiva, e a manutenção do exercício previne perda funcional.

  • A interrupção do programa leva à queda dos ganhos em poucas semanas.

  • A cada estágio da doença, um fisioterapeuta treinado consegue adaptar estratégias, intensidades e objetivos.

  • Exercício regular reduz risco de quedas, melhora humor, sono e bem-estar.

Diretrizes internacionais reforçam que o fisioterapeuta deve atuar integrado a neurologistas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e educadores físicos — sempre com personalização.


Conclusão

A fisioterapia é um dos pilares fundamentais no manejo da Doença de Parkinson. A literatura científica é sólida ao demonstrar que exercícios estruturados, contínuos e personalizados melhoram desempenho motor, previnem quedas, aumentam autonomia, reduzem sintomas e aprimoram a qualidade de vida. Por isso, recomenda-se fortemente que pacientes com DP iniciem fisioterapia o mais cedo possível e mantenham acompanhamento regular ao longo da evolução da doença.

Referências utilizadas

  1. Radder DL, et al. “Physical Therapy and Exercise Interventions in Parkinson's Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Movement Disorders, 2020.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32917125/

  2. Monteiro-Junior RS, et al. “Effects of Exercise on Parkinson's Disease: A Systematic Review.” Journal of Parkinson’s Disease, 2022.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9046970/

  3. Xu X, et al. “Effect of Physical Exercise on Motor Symptoms and Quality of Life in Parkinson’s Disease: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials.” Parkinsonism & Related Disorders, 2023.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36602886/

  4. Kwok JYY, et al. “Exercise for Neuroprotection in Parkinson's Disease.” Journal of Clinical Medicine, 2020.https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7564288/

  5. Tomlinson CL, et al. “Physiotherapy for Parkinson’s disease: A review of evidence and clinical recommendations.” BMJ, 2012 (revisão clássica com impacto ainda atual).https://www.bmj.com/content/345/bmj.e5004

  6. LSVT Global – Evidências científicas sobre LSVT BIG. Physical therapy for Parkinson’s | LSVT BIG

 
 
 

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